quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Brasil em: A BATALHA DAS COMMODITIES

[Notícia de ontem: A carne bate a soja pela primeira vez, e passa a ser o principal produto de exportação do país.]


terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

no sense at all, parte II

Um rosto gasto, conhecido, manuseado
solta as palavras de praxe
sem nenhuma novidade ou surpresa
mas é consumido com espinho
[olhos arregalados de quem não acredita
se é sincero ou louco

-completamente louco-
fingido

o rosto manuseado é levado a sério pela primeira vez em algum tempo

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Seriedade

Seria exagero falar que é tudo o que importa na vida, mas certamente não vivemos sem ela. Porque tê-la significa ter amor e respeito pelas próprias coisas.
É o que falta no país. Vivemos de zombaria e descrença, as coisas não podem ser sempre assim.
Temos esquecido a face de nossos pais e antepassados,e por D-s, somos um bicho de milhares de anos, e mesmo assim levamos nossa vida mesquinhamente. Mais: vergonhosamente, como se não fôssemos responsáveis pelo que acontece do lado de fora da janela, ou dentro de casa, pelas tristezas de nossas mães e burradas dos irmãos.
Mas hoje, dia 8 de fevereiro, meus amigos...hoje é o dia em que renunciaremos ao desrespeito. Hoje é o dia em que o amor reinará em nossos círculos e famílias. O dia em que um grupo de pessoas decide ser sério, e a partir de nós, a mudança será feita. Porque nós, amigos, nós acreditamos no amor, nos valores.
Então, quando eu contar até três, vamos bater nosso récorde de toques, camaradas! Não aguento mais ver essa bola caindo no chão, vamos fazer certo.

sábado, 26 de janeiro de 2008

hoje uns tempos atrás

Era verão na piscina pública, é claro que a água estava super agitada naquele dia insuportável de quente. Talvez a piscina fosse insuportável também, morna por causa do motor-multidão, mas nem para todos. No canto mais perto da ducha dois humos conversam. Eles não conversam só, eles se entendem no turbilhão caótico de palavras, bafo, bolhas e ondas. Os dois humos que achavam que eram amigos até aquele dia descobrem que não há limites para o que estão se tornando segundo a segundo, e quando sentem frio num momento de distração, percebem que já estão sozinhos ali, e estão velhos. Riem-se da distração e retornam o assunto, aumentando a cada segundo e indo até o céu e...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Desertos e espaços vazios

Não esperei muito tempo. Mas nem me importaria se tivesse que esperar mais. Aquela lanchonete decadente era um refúgio no meio daquela cidade apertada, como se seus croissants secos e seu café forte demais – de dar dor de cabeça – fossem enormes montes que poderiam me abrigar. Mas não importa se tinham cavernas ou mato alto, o que importa é aquela moça que entrou apenas dez minutos depois, aquela pela qual esperava, deixando a cama e a depressão num domingo de manhã (me enganava. Não a tinha deixado em nenhum outro lugar do mundo, mas só fui perceber tarde demais).
A protagonista entrou e nem bem tinha se acomodado já começou a falar e responder todas as minhas perguntas num frenesi não-vamos-perder-tempo-nós-duas-sabemos-porque-estamos-aqui. Ok, não foi bem assim, mas foi como gravei, pulando toda a baboseira sobre a mancha roxa embaixo do olho direito, porque é exatamente assim que eu queria que tivesse sido, nem que seja pra ficar mais fácil a tradução.
Se ela andava feliz? Não, não. Como sempre. Porque ele então, de novo – logo perguntei. De novo não - me respondeu muito séria -, pela primeira vez. Nunca o teve como tinha agora, nenhum outro, aliás, acrescentou. O que tem de diferente agora? Seria idiota falar que é sinceridade, mas a base é algo assim (ela sempre foi cheia de teorizar as coisas. Achei engraçado ver como continuava igualzinha). Porque você não está feliz? Essa é a questão, começa daí: paramos de fingir que éramos algo, entende? Que éramos suficientes e ríamos com nossos amigos, abraçávamos nossa família, líamos bons livros. Nós nos reconhecemos, foi isso. Reconheceram-se como vermes que se mereciam – tentando a fazer rir -? Eu vi a minha solidão nele, Lia.
E como sou eu que conto a história, ao dizer isso ela me deu um beijo sem emoção e andou e atravessou a porta de vidro e cobre envelhecendo. E foi, e eu a mirei até desaparecer na parede de vidro da lanchonete decadente que fazia de seus fregueses manequins de uma forma não muito inteligente ao servir aqueles croissants duros. Seria melhor se fosse fosco até a altura dos que sentavam mais perto da janela. Se assim, eu teria visto apenas metade dela desaparecer de perfil, com toda aquela solidão encontrada.
Era a mulher mais feliz do universo.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Bilhetes

Mari Marmitex

38212786
97331937

Vitor Ramil + Marcos Suzano
"satolep sambatown"
1 Livro Aberto
2 Inverno
3 Viajei
4 Que horas são?
5 O copo e a tempestade
6 A zero por hora
7 12 segundos de oscuridad
8 A ilusão da casa
9 Café da manhã
10 A word is dead
11 Astronauta lírico

[dois bilhetes encontrados aleatoriamente em uma arrumação de pelos menos um ano de atraso. É claro que encontrei inúmeros outros bilhetes e coisas - incluindo uma fantasia de freira que não sei porque, achei que ía usar depois de um teatro -, mas esses foram os únicos que, a princípio, eu não lembrava de jeito nenhum o porquê, nem a ocasião. Só o segundo tinha a minha letra. Marmita?]