quarta-feira, 15 de abril de 2009

de ontem (tanto)

And babe
Oh, dream about me
Lie, on the phone to me
Tell me no truth
If it is bad
There's enough in my life
To make me so sad

Just dream about
Color fills our lives

*
just dream about
colors fields of lights
*
the breath was a lullaby for
the other meatloaf in that quarter room
quietly
cools my disturbed soul to closed eyes

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Começou...

cuidado todos! você pode ser o próximo! foto de obama discursando na Turquia e respectiva legenda que estava no site da folha:



"Na Turquia, Barack Obama afirma que membros do Partido dos Trabalhadores de Curdistão estão na lista de terrorismo dos EUA"
a notícia aqui

a não esperada prova dos otimistas, que viam em obama uma nova era para os EUA se arrependerem do próprio terrorismo internacional. não exigir que a Turquia se acerte com os armênios pelo genocídio de 1915 é um claro desdém pela paz que eles tanto evocam em discursos vazios.

"trata-se de saber se queremos viver numa sociedade livre ou se queremos viver enuma espécie de totalitarismo auto-imposto, com o rebanho assustado marginalizado, conduzido em qualquer direção, aterrorizado, gritando slogans patrióticos, temendo por suas vidas e idolatrando o líder que o salvou da destruição, enquanto as massas adestradas marcham em passo de ganso obedecendo ao comando e repetindo os slogans que devem ser repetidos enquanto a sociedade deteriora a olhos vistos. acabamos por servir a um estado mercenário e repressor, à espera de que os outros nos paguem para esmagar o mundo. as opções estão colocadas e as resposta a essas questões está nas mãos de pessoas como você e eu".
Noam Chomsky, professor estadunidense, crítico da política de seu próprio país em controle da mídia

domingo, 29 de março de 2009

manifesto simples da tristeza (free tears)

tem coisas que não adianta escrever que não passa.
talvez elas só passem se forem berradas à exautão, mas já que ninguém vai querer ouvir não grito. e percebo que estou só eu.
então, ao menos vamos aproveitar nosso livre-arbítrio de irmos de cara fechada. de deixar lágrimas em todos os estabelecimentos. de não responder bom dia, por que é um mau dia pra você!

[um espaço de berro sutil]

Viva o livre arbítrio!
Eu posso carregar a tristeza
e cultivá-la!
e sem ninguém pra dizer que não posso tê-la, que não mereço a melancolia!

Queremos melancolia para todos!

TODO HOMEM É LIVRE PARA LEVAR A MELANCOLIA QUE QUISER OU NECESSITAR, SEM PRECONCEITO DE IDADE, COR, GÊNERO, CONDIÇÃO SOCIAL, EMOCIONAL, FÍSICA, PRATO PREDILETO, SABOR DE CHUVA, TEMPERATURA DE PASTEL, CONSISTÊNCIA DE NUVENS!

as nuvens estão chegando. vou-me já já, deixá-las aqui a entretê-los, já passou da minha hora e vou-me carregando minha planta de dor (que aliás, é totalmente legítima, com nota fiscal, duvide quem duvidar)

sexta-feira, 27 de março de 2009

poema condicional

mulher,
branca
a desvalorização, a auto-piedade, o choro, a reflexão, a liberdade
a prisão de ser mulher, a benção
a pilula. pilula, polia, pholia, piedade, prisão, auto estar bem e muitas outras coisas.
inclusive a saudade, a estupidez (idiota!), o amor. amor, auto estar bem, outro estar bem, voo, saudade, prisão (idiota!)
letras de infancia
logica retorica
sai a agua, por fim

celular, corpolar, copula, coppola
(ble!)

sábado, 7 de março de 2009

Espaço para protesto II


[Ah, comunicação]

A respeito do caso do post anterior. Ditabranda. Sabe, não me espantei com essa "mancada" da Folha. Reeditar a história, amenizar situações insuportáveis: tudo isso e mais é esperado de uma empresa de comunicação dentro do mundo atual. Primeiro, por serem empresas, elas vendem um produto privado, falam o que querem, com ou sem compromisso. Há que se ganhar dinheiro, mas a principal função ou compromisso ideológico, é manter a ordem na sociedade. A fim de que os que estão no poder possam continuar enriquecendo com a mão de obra brasileira.
Por serem empresas e não as vozes das comunidades que por aqui vivem, não publicarão o mais relevante, informações preciosas para que as medidas corretas possam ser tomadas pela população. O que entra é a distração, o bonito. Ou o maquiado, tomadas políticas e econômicas apresentadas de modo distanciadas. Ah, Brasília! O FMI, o PAC, o Celso Amorim, é tudo distante.
O jornal não se preocupa em informar a sociedade sobre como ela pode se aproximar disso tudo - de um jeito racional, não o anarquismo erroneamente corrente de todo mundo opinando sobre todas as decisões nacionais. E um jeito de aproximar as pessoas do centro seria uma cobertura dos movimentos civis. Das atitudes concretas de pessoas e grupos que querem opinar sobre as diretrizes econômicas, querem questionar as medidas políticas, ter voz em consultas abertas à população. Pessoas que querem se informar, para que haja democracia de fato.
É por isso que as empresas de comunicação (o alto escalão), preferem mostrar as celebridades. Por que no site da Folha, na página inicial, as notícias daquele mundo (distante também mas cheio de gliter e strass e coroas de flores) ficam no canto esquerdo, na parte mais alta? Acho que é conhecimento de muitos de que esse é o primeiro lugar que a totalidade olha em uma página. Não sou excessão. Mesmo sem querer, por exemplo, fiquei sabendo que Angelina Jolie esqueceu jóias em um hotel inglês. E que quando chegou em Los Angeles ligou correndo para lá e, benza Deus, eles tinham guardado os apetrechos milionários. Fim da história, boa noite.


[protesto em frente ao prédio da Folha de S.Paulo, mais aqui]

Causo pessoal sobre a "mancada" da Folha
Pra quem não me conhece pessoalmente, estudo em uma escola pública de comunicações e artes, mais exatamente no departamento de jornalismo e editoração. Bom, até em memória de professores que tiveram parentes mortos no regime tínhamos de nos juntar ao coro de protesto pela Opinião demais da conta do jornal que falamos até aqui. E por que não fazer uma intervenção na aula optativa ministrada pela tal empresa no nosso departamento? Que acontece há cinco semestres às sextas feiras nove horas da manhã? Sim, nós estudamos aqui e não vamos deixar que pensem que não estamos inconformados. Que concordamos com qualquer coisa que opinam porque queremos trabalhar lá (falo em nome de muitos, como verão a seguir). Cartaz um aqui, na entrada, dois aqui, na sala de aula. Tudo pronto. Antes das nove chegam dois jornalistas, palestrantes do dia.
"Ah, hahah, erraram, a aula de hoje não será sobre a ditabranda", comentou a editora de treinamento Ana Estela sobre um cartaz irônico que nomeava a aula. O colega dela preferiu não se manifestar à esse respeito.
Os dois deram a aula impedindo perguntas acerca do editorial, pois além de não ser o tema da aula, eles não tinham a ver com a diretoria, autora de fato. Mas quem quisesse conversar sobre a opinião pessoal deles, poderia fazer após a aula. Meus colegas que foram intervir também, tiveram que sair para trabalhar, mas eu pude aompanhar uma boa parte da palestra. Os dois foram simpáticos, e humanizar o jornal - ou quem está por trás dele - é um dos objetivos da matéria na escola. Vide o trabalho final: por meio do manual de redação mais aulas, ter idéia do que a Folha considera u jornal perfeito. A partir daí analizar alguma notícia e perceber os pontos que vão contra as idéias da empresa. A última parte é a conversa com o autor da notícia escolhida, para que ele se "explique".
Oras. Isso provará ao aluno a boa vontade tanto do jornal quanto do profissional por trás. Humaniza-se os problemas, e o problema começa a ser melhor. É claro que isso é interessante, que os jornais são feitos de gente também. Mas perdem-se os detalhes (não seria ruim se sempre fossem detalhes, pequenos). O profissional tem razão de achar que, sair no jornal do dia seguinte que caiu uma ponte não sei onde é informação relevante e que isso dará poder de escolha aos que vão viajar por aquele trecho por exemplo.
Mas e o resto que não foi publicado? E quem não tem dinheiro pra comprar o jornal e acabou indo por aquela estrada? E agora, o que tem a ver com o mote do post, porque diabos Hugo Chavez no editorial?



O referendo na Venezuela, ok. NÃO! NÃO apenas isso. Fala-se de Chavez o tempo todo. De Ronaldo também, e isso especificamente me deixa louca. Isso é um recorte ideológico, ele (o presidente) não sai muito na mídia porque é mais importante do que outras coisas que acontecem no mundo. Isso pra mim é distração, é destoação de foco, é desinformação, impedimento à outras informações. Além desse recorte de assunto, que é um detalhe que acaba distraindo os jornalistas, o detalhe do preço do jornal também diz muito. Essas coisas fazem parecer que o sagrado jornal diário é quase um produto lúdico para os clientes. O ganha pão dos donos, além do reconhecimento pelo serviço público, nessas terras de condecorar quem realmente fez algo bom, muito bom. E finalmente uma peça do quebra cabeça mundo, que as pessoas continuam a montar despropositadamente.
É o que tenho a dizer dos presentes na aula que rechaçaram a manifestação. Ainda bem que não foram todos. São alunos que querem trabalhar nos mesmos meios e fazer as mesmas coisas que há tempos se fazem. Querem continuar repetindo o presente, alimentando essa coisa toda. Ou algum deles acha que vai mudar alguma coisa seguindo os passos em caminhos já construídos? Qualquer pensamento de mudar a sociedade dentro das instituições rígidas é piada.

*

nota, direito à educação
Ana Estela pediu para que eu e meus colegas nos retirássemos da sala de aula, por não estarmos matriculados na optativa. Só que na USP você não precisa estar matriculado para assistir à alguma aula (se ela não for laboratorial e necessitar aparelhagem ou algo do gênero) ou ter acesso às informações. Existe a opção de aluno ouvinte até. Minha colega explicou que o espaço era público, e ficou tudo bem. Mas os matriculados, que mandassem um e-mail para ela a fim de terem a programação das aulas e acesso ao banco de dados da Folha. Oras, isso não seria o equivalente à bibliografia? Não pode qualquer um ter acesso à essas informações?

*

nota, direito à comunicação

"Você sabia que canais de televisão e rádios são concessões públicas? Você sabia que 9 famílias controlam 85% da informação que circula nos meios de comunicação de massa? Você sabia que a Constituição Federal afirma que, no Brasil, deve haver um sistema público de comunicação? Você sabia que iniciativas legítimas de comunicação comunitária são fortemente reprimidas por conta dos interesses das empresas comerciais?"
intervozes.org.br

Rádio muda é destruída por PFs
http://muda.radiolivre.org/
Uma rádio comunitária que funcionava no Campus da Unicamp é destruída por ordem judicial, por se tratar de uma rádio pirata.
"Qual é o papel da radiodifusão hoje?
As rádios comerciais, consideradas legais, integram o território nacional a partir de interesses comerciais e culturais homogeneizantes. As rádios livres, consideradas ilegais, permitem que a pluralidade cultural seja livremente expressa. Tudo aquilo que não encontra espaço na lucrativa e monopolizada mídia comercial tem a possibilidade de vazão nos meios geridos pela própria população.
Mundialmente a mídia é controlada por 10 conglomerados. 40 empresas estão ligadas direta ou indiretamente a eles. No Brasil, 90% da mídia é controlada por 13 famílias. Em Campinas, a RAC (Rede Anhanguera de Comunicação) controla os principais meios de comunicação da cidade e região.
Centenas de rádios não comerciais espalhadas pelo Brasil e pelo mundo atuam no sentido contrário a essa situação de monopólio, reafirmando a capacidade de toda e qualquer pessoa de produzir informação", trecho do manifesto.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Espaço para protesto

A última polêmica envolvendo a Folha de S.Paulo, foi um editorial que criticava Chavez, e continha a palavra ditabranda, classificando o governo militar comparativamente à outros governos totalitários do mundo. Claro que houve [felizmente] milhões de protestos, e aqui abro espaço para um história que já tinha ouvido na minha disciplina de faculdade, História do jornalismo. Para os colegas que quiserem se informar sobre um causo da imprensa na época.
As cartas abaixo, que recebi por e-mail, foram enviadas ao jornal por Ivan Seixas, um dos cidadãos torturados no período.

POR QUE A FOLHA NÃO PUBLICA CARTAS DE IVAN SEIXAS?
VEJA O QUE ELE CONTA SOBRE A “DITABRANDA”

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009 às 14:15

Ivan Seixas tinha 16 anos quando foi preso pela ditadura, ao lado do pai, Joaquim Alencar de Seixas. No dia 16 de abril de 1971, os dois foram levados para o DOI-CODI/OBAN, em São Paulo, e barbaramente torturados.

Ivan ficou indignado quando leu o editorial da “Folha de S. Paulo”, definindo a ditadura brasileira como “ditabranda”. Falei há pouco com ele por telefone: “É muita arrogância dos Frias, ainda mais com os pés de barro que eles têm. Os Frias não têm direito de pontificar sobre a ditadura, até porque colaboraram com a ditadura”.


Ivan foi torturado pelo regime que tinha (e tem) apoio do jornal de Otavinho

Ivan Seixas mandou duas cartas para a Redação da “Folha”, protestando. Nenhuma das duas foi publicada. Escreveu, também, para o Ombudsman. Nada.

Nesta última, fez referência ao passado nebuloso do grupo “Folha”, jornal que “empregava carros para nos capturar e entregar para sessões de interrogatórios, como sofremos eu e meu pai. Ninguém me contou, eu vi carro da “Folha” na porta da OBAN/DOI-CODI.”

Ivan sabe do que está falando quando diz que a “Folha” tem pés de barro nesse tema.

Na madrugada do dia 17 de abril de 1971, poucas horas após a prisão dele e do pai, policiais a serviço da “ditabranda” tiraram Ivan da prisão para um “passeio” por São Paulo. Tomaram o caminho do Parque do Estado, uma área de mata fechada, próxima ao Jardim Zoológico. Lá, o jovem (algemado e desarmado) foi ameaçado várias vezes de fuzilamento. Os policiais - polidos como só acontecia na “ditabranda” brasileira - dispararam várias vezes bem ao lado da cabeça de Ivan. Ele fechava os olhos e tinha certeza que morreria: tortura terrível. Mas, deixaram-no vivo, pra contar a história.

No caminho para o Parque do Estado, os funcionários da “ditabranda” pararam numa padaria, na antiga Estrada do Cursino. Desceram pra tomar café, deixando Ivan no “chiqueirinho” da viatura. Foi de lá que Ivan conseguiu observar a manchete da “Folha da Tarde” (jornal do grupo Frias), estampada na banca bem ao lado da padaria: o jornal anunciava a morte do pai dele, Joaquim.

Prestem bem atenção: a “Folha da Tarde” do dia 17 trazia manchete com a morte de Joaquim – que teria ocorrido dia 16. Só que, ao voltar de seu “passeio” com os policiais, Ivan encontrou o pai vivo e consciente, nas dependências do DOI-CODI. Joaquim só morreria – sob tortura – no próprio dia 17


Joaquim Seixas, morto e torturado: vejam como era branda a ditadura apoiada pelos Frias

Ou seja, o jornal da família Frias já sabia que Joaquim estava marcado pra morrer, e “adiantou” a notícia em um dia. Detalhe banal.

A historiadora Beatriz Kushnir publicou um livro em que conta essa e outras histórias mostrando os vínculos estreitos da família Frias com a ditadura. http://www.viomundo.com.br/opiniao/unidade-caes-de-guarda-fala-da-midia-e-de-jornalistas-que-colaboraram-com-a-ditadura-militar/

Ivan está se movimentando para que o livro de Beatriz seja relançado este ano, em São Paulo. O ato serviria também como desagravo às vítimas da ditadura, e como protesto contra a família Frias, que quer reescrever a história recente do Brasil.

O velho Frias, antes de ter jornal, se dedicava a criar galinhas. Não tinha pretensões intelectuais.

Frias Filho – o Otavinho – acha que é um pensador. Devia criar galinhas.

Pensando bem, melhor não. Deixem os bons granjeiros fazerem o serviço deles honestamente...

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Prezado Senhor

Enviei o email abaixo e não obtive resposta. Ao contrário, vi desaparecer das páginas do seu jornal qualquer referência ao assunto DITADURA VERSUS DITABRANDA, e nem mesmo o ombusdman se dignou a me dar alguma resposta.

Com certeza não esperava que o senhor fizesse agora alguma sugestão do que os algozes da DITADURA (repito, DITADURA - para que não haja dúvidas) deveriam fazer de acordo com seu refinado gosto, ou conforme os critérios do seu infográfico que mede a intensidade de ditaduras. Para ajudar VS, visto que a foto do cadáver de meu pai não lhe pareceu suficiente para sua opinião abalizada, envio agora a de outros dois militantes políticos, igualmente assassinados por sua DITABRANDA, que nós, democratas, continuamos a chamar de DITADURA mesmo.

As três fotos são: meu pai, o mecânico Joaquim Alencar de Seixas, o arquiteto Antônio Benetazzo e o operário químico Virgílio Gomes da Silva.

Observe as fotos anexas e reflita. Apenas isso.

Em seguida, mostre aos seus pares de redação: Clóvis Rossi, Eliane Cantanhede, Kennedy Alencar, Nelson de Sá, Mônica Bergamo e Gilberto Dimenstein, entre outros. Pergunte-lhes o que têm a dizer a respeito do assunto. Depois, peça-lhes que enviem suas opiniões para o meu endereço eletrônico (...) Certamente, eles devem ter algo a acrescentar a este debate. O Fernando Barros e Silva já se manifestou. Mas foi obrigado a concordar com sua tese de retaliação e grosserias contra os professores Fábio Konder Comparato e Maria Victória de Mesquita Benevides. Provavelmente com medo de perder o emprego.Senhor, sua democracia é bem curiosa. Frente à condenação pública, suspende e proíbe o debate. Não permite que o ombusdman exerça seu papel - e este se acomoda, enquanto o senhor corta as cartas ao Painel do Leitor, tal qual a dona Solange Hernandes fazia nos áureos tempos do seu pai e do seu jornal cedido ao pessoal da OBAN-DOI/CODI. Ou seja, o senhor cuida de seus funcionários como seu pai cuidava de suas galinhas.

Como o senhor há de supor, vou enviar este email para o maior número possível de amigos. Mandarei, inclusive, para a Doutora Beatriz Kushnir, que conhece bem esse assunto.

Espero que, desta vez, o senhor tenha a dignidade de autorizar aos seus subordinados, a publicação da minha carta.

Democraticamente,

Ivan Akselrud de Seixas



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INSULTOS AOS DEMOCRATAS

Senhor editor

Vejo na página editorial da Folha loas ao bom comportamento dos ditadores brasileiros, que teriam sido até brandos com os inimigos. Vocês chegam até a cunhar o neologismo DITABRANDA para designar aquele período que todos os democratas definem como DITADURA. Hoje vi a redação insultar o professor Fábio Comparato e a Professora Maria Vitória Benevides de CÍNICOS E MENTIROSOS.

A DITABRANDA de vocês me prendeu junto com meu pai, quando eu tinha 16 anos. Nos torturaram juntos e o assassinaram no dia seguinte a noite. Naquela mesma manhã, uma nota oficial foi publicada dando conta de sua morte ao resistir à prisão, quando ele ainda estava vivo. Minha casa foi saqueada, minha mãe e irmãs foram presas e ficaram 1 ano e meio presas, sem acusação sequer. Uma dessas irmãs sofreu uma violência sexual por parte dos agentes da DITABRANDA de vocês. Eu fiquei preso por longos 6 anos.

Diante disso, convém perguntar: O que mais vocês gostariam que fizessem conosco?Para sua informação, envio foto de como ficou meu pai após a DITABRANDA tê-lo interrogado brandamente, nas palavras de vocês da redação da Folha.Saudações democráticas.

Ivan Akselrud de Seixas

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Caro Carlos Eduardo

Há um tempo atrás te escrevi para protestar contra a postura e as mentiras da Folha contra as indenizações aos ex-presos políticos e, uma segunda vez, contra o comportamento preconceituoso contra a Senadora Marina Silva.

Volto a te escrever, mas não é para protestar. Vejo na página editorial da Folha loas ao bom comportamento dos ditadores brasileiros, que foram até brandos com os inimigos. Cunham até o neologismo DITABRANDA para designar aquele período que todos os democratas definem como ditadura. Hoje vi a redação insultar o professor Comparato e a Professora Maria Vitória Benevides de CÍNICOS E MENTIROSOS.

Te escrevo para te lembrar que eu te disse que a foha tomava o perigoso rumo de defe3sa dos torturadores e de ataques às suas vitimas e você me dizia o contrário.

Vou escrever uma carta à redação, mas te coloco antes disso a mesma pergunta que farei a eles. Tenho a certeza que não publicarão o que escreverei, mas mesmo assim cumpro meu dever democrático. A pergunta é a seguinte:
A DITABRANDA de vocês me prendeu junto com meu pai, quando eu tinha 16 anos. Nos torturaram juntos e o assassinaram no dia seguinte a noite. Naquela mesma manhã, uma nota oficial foi publicada dando conta de sua morte ao resistir à prisão, quando ele ainda estava vivo. Minha casa foi saqueada, minha mãe e irmãs foram presas e ficaram 1 ano e meio presas, sem acusação sequer. Eu fiquei preso por longos 6 anos.
O que mais vocês gostariam que fizessem conosco?

Para sua informação, envio foto de como ficou meu pai após a DITABRANDA tê-lo interrogado brandamente, nas palavras da redação da Folha. Aliás, a mesma Folha que emprestava carros para nos capturar e entregar para as sessões de interrogatórios como sofremos eu e meu ´pai. Ninguém me contou, eu vi carro da Folha na porta da OBAN-DOI/CODI.

Saudações democráticas.

Ivan Seixas

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

reparação

e se você escrevesse um poema fingindo ser eu
para que o mundo perdoasse minha falta nos últimos meses
(serão meses?)
ou um poema pensando em mim já vale. é pouco o material que tem alguma coisa comigo espalhada pelo mundo
em meio a quantidade pode nascer uma flor rara.

tenho tido ódio à quantidade do mundo
e um jeito covarde de fazer esse ódio é validando as diferenças que sempre senti
conforme vou reafirmando os erros dos meus mundos me afasto subindo
sempre ficando mais alta, indo pra um lugar em cima

disfarces da imbecilidade.

só queria que alguma coisa bonita saísse hoje
ou de mim ou de alguém perto
e eu tivesse aquele lampejo de esperança cotidiana

a vida correndo e eu do alto do meu apartamento
pedindo para que o universo me impressione
as pretensões e tristezas de ser autor de uma titica qualquer