sábado, 20 de fevereiro de 2010

BBB-10, um programa imbecil

O educador Antônio Barreto, um dos maiores cordelistas da Bahia escreveu um cordel sobre o BBB10 da Rede Globo, vale a pena a leitura. São 25 demolidoras septilhas (estrofes de 7 versos).


"Big Brother Brasil, um programa imbecil"


Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em forma�ão
E precisa evoluir
Através da Educa�ão
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhamba�ão
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Na�ão
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educa�ão
Precisa de gente grande
Para dar boa li�ão
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Na�ão.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo..
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educa�ão e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a inten�ão da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exce�ão
(Amantes da educa�ão)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Na�ão
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu cora�ão.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais liga�ões
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira..

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Q ue nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são liga�ões diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educa�ão
E também evolu�ão
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu cora�ão
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

FIM

Salvador, 16 de janeiro de 2010.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Mudança energética e social

Quem passou pelo blackout na semana passada deve ter tentado se informar dos motivos, e visto várias vezes o governo estadual colocar a culpa no federal, e assim por diante.

Quem ficou muito revoltado com a administração petista, tem o direito de ficar também com o mandato malufista do Serra, que começou a fazer obras loucamente na marginal. O problema não é "construir coisas", mas sim construir de qualquer jeito, pra ficar pronto antes do fim do mandato. Ampliação
no sense da marginal Tietê de São Paulo, desastre do rodoanel, problemas no abastecimento de água... Vale lembrar que o fechamento das pontes deixou o povo da zona norte completamente prejudicado para se locomover de um local a outro da cidade.

Toda obra que privilegia carros em SP, em detrimento do transporte público ou ecologicamente viável, tem data de validade curta, e não passa de um tiro no pé pra quem irá a Copenhague discutir metas de redução de CO2, desmatamento etc. Se tiver mais espaço pra eles, terão mais carros, a não ser que se estabeleça limites para eles e, claro, melhore a infraestrutura de transporte público. Não só mais ônibus e corredores para eles, também metrô, trem, teleférico e o que mais existir no mundo de tecnologia urbana para domar o caos.

Ufa! Desabafei meu descontentamento com o sistema rodoviário municipal (leia-se administração psdebista). Mas vamos tratar do assunto mais interessante dessa postagem, que o nomeia inclusive, e diz respeito ao governo federal: o blackout da semana passada.

Passei muito medo naquele dia. Achei que o mundo ia acabar. Algumas pessoas que também estavam fora de casa disseram que perceberam um mundo melhor, com as pessoas se ajudando, se olhando, pegando na mão. Não sei se eu estava numa parte mais frígida da cidade, mas não senti nada caloroso. Senti muita dificuldade pra dividir a rua com carros enlouquecidos. Mas não vou divagar sobre minha experiência pessoal. Por mais que eu quisesse há coisas mais interessantes pra tratar aqui.

Eu me dei mal por uma noite, mas e quem está se dando mal há muitos anos? Ao menos no meu blog eles merecem um espaço, e o terão daqui a pouco. Vejam explicações que vão muito além do binômio FHC-Lula. Com a palavra, o Movimento dos Atingidos por Barragens:

Posição do MAB frente ao Apagão
Movimento dos Atingidos por Barragens


No dia 10 de novembro à noite, pouco depois das 22 horas, ocorreu um apagão de energia elétrica e durou em torno de 4 horas até voltar à normalidade. O apagão atingiu 18 estados, onde SP, RJ, ES e MS o desligamento foi total. Milhares de cidades foram afetadas. Dias antes, o povo brasileiro havia sido informado de que as empresas haviam cobrado indevidamente 7 bilhões de reais nas contas de luz.
Estamos assistindo a um conjunto de explicações e versões que, em grande parte, não revelam o teor e as verdadeiras causas que levam a ocorrer fatos como este do desligamento da energia para milhões de brasileiros.


O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) não quer alimentar o circo estabelecido entre empresas, governos e setores que representam o modelo privatista de FHC e Serra. Eventos como o que aconteceu podem ocorrer e mais do que discutir o fato em si, devemos aproveitar este momento para intensificar o debate para o que nos parece central: a insustentabilidade e o mal que o atual modelo faz para o Brasil e a necessidade da criação de um novo projeto energético e social.
Por isso, nossa posição está dirigida ao povo brasileiro e a todos aqueles setores que estão mais preocupados em construir um Projeto Popular para o Brasil - com soberania energética e sob controle popular - do que com as disputas eleitorais que tendem a ser o principal pano de fundo desta polêmica.
A princípio, o setor elétrico deve ter todas as medidas de prevenção garantidas para que não ocorram estes problemas

NO NOSSO ENTENDIMENTO, A CAUSA PRINCIPAL do apagão É:
1. O modelo energético neoliberal, que privatizou e entregou o patrimônio do povo nas mãos de grandes empresas privadas transnacionais, vai em direção contrária aos interesses do povo brasileiro. Este modelo teve início nos anos 90, principalmente nos governos Collor e FHC, e em grande parte perdura até os dias de hoje;
2. Este modelo transformou a energia elétrica em uma mercadoria com o objetivo principal de extrair as mais altas taxas de lucro tendo como principal forma a negação dos direitos das populações atingidas e a cobrança dos mais altos preços nas contas de luz;
3. Com isso nos distanciamos ainda mais da soberania energética, e ficamos subordinados aos interesses dos grandes grupos econômicos mundiais que passam a tomar as decisões estratégicas e se apropriam do patrimônio público nacional;
4. Todo este modelo é dirigido pelo capital financeiro baseado na especulação, na super-exploraçã o dos trabalhadores e na destruição da natureza;
5. A privatização da energia fracionou o setor elétrico em geração, transmissão, distribuição e em comercializaçã o de energia elétrica, o que torna o modelo menos eficiente e mais suscetível a problemas como ocorreu;
6. A criação de mecanismos como a ANEEL, a ONS e a CCEE, espaços controlados pelas empresas privadas, servindo aos interesses destas;
7. Os privilegiados são os grandes consumidores, setor eletrointensivo[1] exportador, os chamados consumidores livres, que não são mais de 665 empresas (como a Vale, Gerdau, Votorantim, entre outros). Devido aos subsídios que recebem, pagam menos de 5 centavos pelo kw, enquanto o povo brasileiro nas suas residências paga mais de 50 centavos pelo mesmo kw de energia. O povo brasileiro paga 10 vezes mais que as grandes empresas;
8. Chamamos atenção especial que o apagão de 1999 e de 2001 serviram para que através do ‘seguro apagão’ o povo brasileiro pagasse 45,2 bilhões de reais (dados do TCU) nas contas de luz todo mês. Além disto, o pânico de escassez ajudou as empresas e a Aneel justificarem aumentos nas contas de luz (mais de 400% nos últimos anos) e acelerou a construção de novas barragens;
9. Esta lógica instalada no setor elétrico, de extrair as maiores taxas de lucro com o menor tempo possível, faz apressar e passar por cima de normas e procedimentos necessários para o bom funcionamento do setor. Redução de equipes e de quadro técnico, trabalhos terceirizados, trabalhadores mal remunerados, precarização e intensificação do trabalho, redução de exigências ambientais estão entre algumas das várias ações práticas que se pode verificar no dia a dia;
10. Alertamos que os freqüentes erros que estão vindo a público, como o reconhecimento através da CPI da ANEEL dos altíssimos preços cobrados e o escândalo da cobrança irregular dos 7 bilhões a mais nas contas de luz, o reconhecimento de que o estado tem uma enorme dívida social com o povo que foi expulso pela construção de barragens e o atual blecaute são fatos reveladores das enormes dificuldades enfrentadas pelo atual modelo.

Nesta situação, propomos:
1. Deve-se paralisar imediatamente o processo de privatização do conjunto do setor elétrico;
2. O governo e o estado devem reassumir imediatamente o seu papel no controle da energia elétrica para que possamos caminhar rumo a um projeto com soberania energética e popular;
3. Deve-se investir prioritariamente para que todos os processos de produção, distribuição e uso de energia sejam pautados por uma política de racionalidade, conservação e economia de energia;
4. Devemos caminhar para que a energia atenda, em primeiro lugar, aos interesses vitais do povo brasileiro e, portanto, devemos combater o modelo eletrointensivo exportador de energia, que nada trás de benefícios ao nosso país;
5. Exigimos imediatamente a redução dos preços da energia elétrica e a devolução dos 7 bilhões de reais ao povo brasileiro;
6. Exigimos o cancelamento de projetos, como a Hidrelétrica de Belo Monte, que vai penalizar o povo brasileiro e a Amazônia para beneficiar meia dúzia de empresas transnacionais;
7. Exigimos o imediato pagamento da dívida social que o estado brasileiro tem com as populações atingidas por barragens.

Por fim, reafirmamos que "água e energia, não são mercadorias" !

São Paulo, novembro de 2009.
Coordenação Nacional do MAB


[1] Eletrointensivo é aquele cujo valor da energia elétrica utilizada represente mais de 25% (vinte e cinco por cento) do custo da mercadoria produzida. Central na produção de aço, alumínio, cimento e metalurgia, entre outros.

domingo, 25 de outubro de 2009

Como conscientizar roomates

O sr. K. preferia a cidade B à cidade A. "Na cidade A", disse ele, "as pessoas gostam de mim; mas na cidade B foram amáveis comigo. Na cidade A colocaram-se à minha disposição; mas na cidade B necessitaram de mim. Na cidade A me convidaram à mesa, mas na cidade B me convidaram à cozinha".

Histórias do sr. Keuner,

Bertolt Brecht


Eu não quero que você só frequente essa casa. pra você se sentir mesmo em casa, você tem que ajudar a construir. Então você pode limpar a geladeira, por exemplo. vamos dividir as tarefas! vou compartilhar com você essa experiência maravilhosa de se sentir parte de um lugar. você tem tanto direito quanto eu. Um brinde!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O falso madrugador

Todo dia é igual.
Acorda às 5h30 sem chance de reclamar. Engole o pão com manteiga de mal humor, e se arrepende de ter se deitado tarde. Mas é sempre assim, é impossível ir pra cama cedo. As tarefas urgem, se não abrir os livros a fúria da necessidade os consumirá sozinho. Sem chance.
Nessa luta quem sai perdendo é o sonho, a vitalidade e a juventude.
Às seis da manhã, com o café já engolido, volta ao quarto para pegar o que falta e se mandar de casa. Senta na cama, aquela que ele a princípio despreza e luta para se afastar. Mas ela envolve tão quente com a sua maciez, e ele resolve ceder, voltar arrependido ao lugar que nunca gostaria de ter deixado
[algum lugar dentro da sua mente, no mundo dos sonhos.
E com a luz acesa, meia roupa vestida, mochila na mão, dorme como um menino. Não levanta antes que o sol esteja totalmente vertical.
Essa noite será a mesma coisa, e em algum momento ele amaldiçoará a sina de ter que acordar cedo, de novo.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Poema fundador

Entra ano, sai ano e continuo ligada ao centro acadêmico da eca, o calc. Estamos - eu mais nove ou dez colegas amigos - encerrando a gestão elefante, cujo manifesto inicial eu colei neste blog. Estou participando de uma nova formação de chapa, que tem vários elefantes, mas há várias novidades esse ano.

A principal delas é que estamos competindo! desde 2004 não tinha mais de uma chapa concorrendo. Por enquanto o debate foi tranquilo, mas todos da chapa já perceberam as nossas diferenças. Mesmo que, no começo, achava que as chapas deveriam se unir. Eis nosso poema fundados, trazido pela colega cênicas Lira. Divirtam-se!

Canção do não tempo de lua

(Mário Lago)



Amada não me censure, se sou de pouco falar

Nem se esse pouco que falo não faz você suspirar

É tempo de vida feia, de se morrer ou matar

De sonho cortado ao meio, de voz sem poder gritar

De pão que pra nós não chega, de noite sem se acabar

Por isso não me censure, se sou de pouco falar


Criança é bonito? É

Mulher é bonito? É

A lua é bonito? É

A rosa é bonito? É


Mas criança chega a homem se a bomba quiser

A mulher só tem seu homem se a bomba quiser

Homem sonha e faz seu sonho se a bomba quiser

Não é tempo de ver lua nem tirar rosa do pé

Amada minha não chore se nunca falo de amor

Nem se meu beijo é salgado, que é beijo chorado em dor

É tempo de vida triste, de olhar o seu com pavor

De mão pro último gesto, de olhar pra última flor

De verde que era esperança trazer desgraça na cor

Por isso amada não chore se nunca falo de amor


Criança é bonito? É

Mulher é bonito? É

A Lua é bonito? É

A rosa é bonito? É


Mas criança chega a homem se a bomba quiser

A mulher só tem seu homem se a bomba quiser

Homem sonha e faz seu sonho se a bomba quiser

Não é tempo de ver lua nem tirar rosa do pé



Amada não vá embora se eu trouxe desilusão

Se aumento sua tristeza, tão triste a minha canção

É tempo de fazer tempo, de pegar tempo na mão

De gente vindo no tempo em passeata ou procissão

No mesmo passo de sonho pra bomba dizendo "não!"

Amada não vá embora, mudou a minha canção!


Pois criança vai ser homem porque a gente quer

A mulher vai ter seu homem porque a gente quer

Homem vai fazer seu sonho porque a gente quer


Criança é bonito? É

Mulher é bonito? É

A lua é bonito? É

A rosa é bonito? É

Vai ser tempo de ver lua e tirar rosa do pé

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Café da manhã com o presidente

Empresa. Alguns funcionários tiveram a idéia de fazer um café da manhã coletivo e socializador. Afinal, no dia a dia a redação quase nunca entra em contato com o comercial, e vice versa.
Agora de manhã, estavam todas as hierarquias reunidas, comendo. E entre mastigações, aparecia uma frase aqui, outra ali, mas nenhum assunto integrava.
Olhares explorados miravam desconfiados, e devoravam pedaços de bolos, pães recehados, croissants, doces. A mesa farta era cenário da peça.
No que estavam todos unidos e ritmados, era na digestão do silêncio.